Chegar ao Hard Rock Stadium: trânsito, acessos e ajustes
Duas idas ao Hard Rock Stadium, em Miami, ficaram na memória - e é justamente ali que Portugal vai enfrentar a Colômbia no encerramento da fase de grupos, torcendo para que a visita ao estádio da cidade que recebeu a concentração da seleção portuguesa seja lembrada pelos melhores motivos. Entre Uruguai x Arábia Saudita e Uruguai x Cabo Verde, vi dois cenários distintos: de uma partida para a outra, os acessos passaram por mudanças perceptíveis, que pareceram correções para melhorar o fluxo.
Mesmo assim, Miami tem fama antiga de transformar a chegada em martírio por causa do trânsito - algo já comum nos jogos de futebol americano, quando atuam os Miami Dolphins. Do primeiro para o segundo jogo, deu para notar alguma melhora com os ajustes implementados. No Uruguai x Arábia Saudita, os torcedores ficaram mais presos: era difícil atravessar fileiras intermináveis de carros e, ao mesmo tempo, lidar com controles de segurança apertados. Houve quem deixasse escapar certa fúria - combustível uruguaio bastante natural - diante de orientações sobre por onde seguir, quando a ansiedade já não aceitava mais freios.
Segurança e voluntários: fricção com o ambiente do futebol
Assistir a uma partida deste Mundial, ao menos em Miami, tem esse componente desgastante de encarar seguranças ou voluntários norte-americanos. Eles estão no extremo oposto da emoção de um jogo, distantes do universo de sensações que o futebol provoca. Não reconhecem essa paixão e se recusam a interpretá-la, mesmo quando isso arranha o prestígio do maior evento do planeta no esporte mais popular do mundo. No fim, pouco entendem da correria, do delírio das multidões e da tradição que moldou tantos países.
Quando alguém procura informações, o que volta são olhares perdidos - vazios, entediados ou simplesmente desinformados - e, em alguns casos, até hostis. A preparação parece mecânica, quase robótica: trava o teu passo e, por vezes, ainda te desvia do lugar certo. O que salva é o colorido do Mundial: torcedores incríveis, cantos vindos de todos os lados e aqueles instantes de comunhão entre duas nações. Esses são os melhores antídotos diante de quem tenta justificar por que o Mundial acontece nos EUA.
Portugal x Colômbia no Mundial: festa grande e atenção aos “cowboys”
Ligados por tradição ao basquete e ao futebol americano, esses americanos não se conectam com o futebol; se empolgam, isso sim, com a casa cheia e com a fonte de narrativas comerciais que um jogo oferece. Basta ver a ousadia de tentarem conter a comemoração de jornalistas uruguaios em um gol contra Cabo Verde, com lógica de silenciador: "Um aviso, ao terceiro, estás fora..." Sem mais nem menos.
São manias de comando e de ordem, típicas de um país que sempre tomou para si uma regência moral do Mundo, mas entende pouco do esporte mais popular da terra - e parece entender mais de armas, criminalidade interna, polícia e belicismo geopolítico. Agora vem o Portugal x Colômbia, e o alvoroço promete ser ainda maior. O recado é só um: cuidado com os cowboys americanos. A festa tende a ser linda; resta ver como a organização local vai dar conta de tudo.
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