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Rugas na testa podem sinalizar risco de doença cardíaca

Mulher preocupada olhando no espelho de banheiro com oxímetro, frutas e medicamentos ao fundo.

Para quem encara a vida com certo fatalismo, as rugas funcionam como mensageiras do pior: um aviso inequívoco de que a velhice, enfim, chegou.

Só que, embora as rugas na testa sejam frequentes - inclusive em pessoas jovens - quem apresenta linhas mais profundas e em maior quantidade pode ter um motivo bem mais preocupante para ficar atento do que o envelhecimento natural.

Um estudo recente sugere que as rugas na região da testa podem, na verdade, servir como um alerta precoce de doença cardíaca - e os cientistas ainda não sabem ao certo por quê.

Rugas na testa e risco de doença cardíaca

“Você não consegue ver nem sentir fatores de risco como colesterol alto ou hipertensão”, afirma a autora do estudo, Yolande Esquirol, médica e pesquisadora biomédica no Centre Hospitalier Universitaire de Toulouse, na França.

“Nós exploramos as rugas da testa como um marcador porque é algo muito simples e visual. Só de olhar o rosto de uma pessoa já poderia soar um alarme e, então, poderíamos dar orientações para reduzir o risco”.

A ideia pode parecer absurda, mas, se essa ligação for confirmada, as rugas na testa poderiam se juntar a uma lista de avaliações incomuns já associadas ao risco de doença cardíaca. Entre elas estão: lóbulo da orelha com vinco, dentes frouxos, calvície padrão masculino, dedos em baqueta (pontas dos dedos alargadas), catarata nos olhos e inchaço nas mãos, tornozelos ou pés.

É importante deixar claro: nem toda ruga carrega esse significado. Pesquisas anteriores, por exemplo, indicam que os “pés de galinha” - as linhas finas que se espalham a partir dos cantos dos olhos - não têm relação com doença cardíaca; nesse caso, elas refletem apenas envelhecimento e movimento.

E esses sinais físicos não substituem exames médicos mais completos. Eles servem, no máximo, como uma triagem prática e barata para ajudar médicos a reconhecer quais pacientes podem ter risco mais alto de desenvolver doença cardíaca ao longo da vida.

“Claro, se você tem uma pessoa com um risco cardiovascular potencial, é preciso checar os fatores de risco clássicos, como pressão arterial, além de níveis de lipídios e glicose no sangue, mas você já poderia compartilhar algumas recomendações sobre fatores de estilo de vida”, explica Esquirol.

Como o estudo foi conduzido

A pesquisa avaliou rugas horizontais na testa em um grupo de 3.200 adultos que trabalhavam - todos considerados saudáveis - com idades de 32, 42, 52 e 62 anos no início do acompanhamento.

Depois de receberem uma pontuação de 0 a 3, baseada na quantidade e na profundidade das linhas na testa, esses participantes foram monitorados por duas décadas.

Ao longo do período, 233 pessoas morreram por diferentes causas. Entre elas, 15,2% tinham pontuação 2 ou 3 para as rugas na testa; 6,6% tinham pontuação 1; e 2,1% receberam pontuação 0 (ou seja, não apresentavam rugas na testa).

Os dados mostraram que, a cada aumento na pontuação, também aumentava o risco de morte por doença cardiovascular. Houve um acréscimo pequeno de risco ao passar de 0 para 1, mas quem tinha pontuação 2 e 3 apresentou quase 10 vezes mais risco de morrer por doença cardíaca do que aqueles com pontuação 0.

E o resultado se manteve mesmo depois de os pesquisadores considerarem outros fatores que ajudam a prever doença cardíaca, como idade, sexo, estresse no trabalho, escolaridade, tabagismo, pressão arterial, frequência cardíaca, diabetes e níveis de lipídios.

“Quanto maior a sua pontuação de rugas, mais o seu risco de mortalidade cardiovascular aumenta”, conclui Esquirol.

Por que as rugas poderiam ter relação com o coração

As causas por trás dessa associação ainda não foram esclarecidas. Ainda assim, os autores levantam a hipótese de que as rugas na testa sejam um marcador de aterosclerose - um fator importante para infartos, que ocorre quando placas se acumulam nas artérias.

À medida que as artérias ficam mais espessas e rígidas, o fluxo de sangue que leva nutrientes e oxigênio a órgãos e tecidos essenciais pode ser reduzido.

Assim como a aterosclerose, as rugas também se relacionam a alterações no colágeno das placas e à diminuição da disponibilidade de oxigênio.

Como os vasos sanguíneos na testa são extremamente pequenos, eles podem ser mais vulneráveis. Os pesquisadores propõem que até mudanças discretas no acúmulo de placas poderiam modificar o funcionamento e a aparência desses vasos.

“Esta é a primeira vez que uma ligação foi estabelecida entre risco cardiovascular e rugas na testa, então os achados precisam ser confirmados em estudos futuros”, alerta Esquirol, “mas a prática poderia ser usada agora em consultórios e clínicas médicas”.

“Não custa nada e não há risco”.

A pesquisa foi publicada em Suplementos de Arquivos de Doenças Cardiovasculares.

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