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Como emoções influenciam lanches e a dieta, segundo estudo da Universidade Flinders

Homem pensando sentado à mesa com frutas, pacote de salgadinho, copo de água e celular.

Manter uma alimentação equilibrada às vezes parece simples logo cedo, mas pode desandar de repente mais tarde. Muita gente acorda determinada: organiza refeições mais saudáveis, evita besteiras e se compromete a manter a disciplina.

Só que, na prática, o dia nem sempre segue o plano. Situações de estresse, irritação - ou até momentos de alegria - podem mudar o que a pessoa escolhe comer. E nem toda vontade de beliscar vem de fome: com frequência, as emoções direcionam a escolha do lanche sem que isso fique evidente.

Um estudo recente da Universidade Flinders indica que o sentimento imediatamente anterior a comer tem grande peso na definição do tipo de lanche que alguém pega.

Tentações enfraquecem dietas

Comer bem pode parecer um desafio porque opções tentadoras surgem por toda parte. No supermercado, doces ficam perto dos caixas; em cafés, é comum haver salgados e doces para acompanhar o café; e lanches industrializados continuam ao alcance da mão em dias corridos.

Com essa disponibilidade constante, manter uma alimentação saudável exige atenção e decisões conscientes. Por isso, muitas pessoas recorrem a dietas que cortam calorias, excluem determinados alimentos ou impõem controle de porções.

No começo, seguir essas regras pode dar a sensação de algo organizado e fácil de cumprir. Porém, com o tempo, episódios de estresse e momentos emocionais podem ir desgastando essa estrutura. Foi justamente esse enfraquecimento que os pesquisadores buscaram entender.

Acompanhando as escolhas de lanches na Universidade Flinders

Os pesquisadores não queriam observar hábitos alimentares apenas em ambientes controlados. A intenção do grupo era acompanhar como as escolhas acontecem no dia a dia, quando o humor oscila e a rotina cheia cria situações inesperadas.

Para isso, 155 mulheres registraram os lanches consumidos durante uma semana. Cada participante manteve um diário online, anotando todo lanche ingerido ao longo do dia e também a emoção sentida imediatamente antes de comer.

Esse procedimento permitiu vincular estados emocionais às decisões alimentares. Ao longo da semana, foram registrados mais de mil lanches.

Frutas apareceram com frequência, mas chocolate, doces assados e chips de batata também surgiram repetidas vezes. Quando os pesquisadores analisaram os registros com atenção, um padrão claro começou a se formar.

Emoções negativas e escolhas de lanches

Entre pessoas que estavam tentando fazer dieta, emoções negativas tiveram forte influência nas decisões sobre lanches. Sensações como estresse, tristeza, frustração ou decepção apareciam com frequência logo antes de escolhas menos saudáveis.

“Os nossos resultados mostram que o seu estado emocional imediato é um fator muito mais forte para beliscar do que a sua personalidade geral ou os seus padrões habituais de humor”, afirmou o autor principal do estudo, Dr. Isaac Williams.

“São esses sentimentos do momento que tendem a tirar as pessoas do caminho.”

Quando emoções estressantes ou desagradáveis entravam em cena, muitos participantes em dieta acabavam optando por itens como barras de chocolate, doces assados ou chips, em vez de alternativas mais nutritivas.

O estresse muda o tipo de lanche

Um ponto do resultado chamou atenção. Emoções negativas não significaram, necessariamente, que as pessoas passaram a comer mais no total. O efeito principal foi alterar o tipo de lanche escolhido.

“Para pessoas que estão tentando fazer dieta, as emoções negativas parecem funcionar como um gatilho para quebrar as intenções de comer de forma saudável”, disse o Dr. Williams.

“Não é que elas comam mais alimentos no total, mas que escolham alimentos com mais calorias e menor valor nutricional.”

Na rotina, isso pode acontecer em questão de instantes. Alguém pode planejar comer uma fruta no intervalo. Depois de uma conversa estressante ou de uma tarefa exigente, a atenção pode se deslocar rapidamente para alimentos de conforto, como chocolate ou chips.

A felicidade também incentiva beliscar

Costuma-se associar a alimentação emocional à tristeza ou ao estresse, mas o estudo apontou outro comportamento relevante. Emoções positivas também podem estimular lanches extras.

Participantes que não estavam fazendo dieta tendiam a comer mais lanches quando se sentiam felizes, cheias de energia ou empolgadas. Um bom humor pode trazer uma postura mais relaxada em relação à comida, e os lanches passam a parecer recompensas, em vez de excessos.

“Muitas vezes pensamos na comida de conforto como algo que as pessoas fazem quando estão tristes, mas para muitas pessoas, estar de bom humor pode ser uma tentação tão grande quanto para se permitir exagerar”, afirmou o Dr. Williams.

Assim, uma comemoração, uma boa notícia ou um momento agradável do dia pode levar a beliscar mais, mesmo quando a fome não é o motivo principal.

Gerenciar emoções para comer bem

O grupo de pesquisa também investigou como as pessoas lidam com as emoções no cotidiano. Algumas tentam esconder o que sentem ou ignorar os sentimentos, enquanto outras procuram reinterpretar situações emocionais e mudar a forma de pensar sobre elas.

De modo surpreendente, essas estratégias não ofereceram uma proteção forte contra a alimentação emocional. Em vez disso, um elemento se mostrou bem mais relevante: a consciência emocional.

Consciência emocional é reconhecer com clareza o que se está sentindo enquanto a emoção acontece. Quando a pessoa percebe cedo o estresse ou a frustração, essa percepção cria uma pequena pausa antes da escolha do alimento.

“A consciência emocional parece ser a verdadeira chave”, disse o Dr. Williams.

Nesse breve intervalo, a pessoa pode repensar a decisão e optar por algo mais saudável.

Pausa antes de beliscar

Os achados da Universidade Flinders sugerem que acompanhar as mudanças emocionais ao longo do dia pode melhorar as decisões alimentares. O Dr. Williams recomenda desacelerar por um instante antes de pegar um lanche.

Fazer uma pausa rápida e se perguntar qual emoção está presente ajuda a identificar se a escolha está sendo guiada por fome ou por estresse.

“Não somos tão racionais com a comida quanto gostaríamos de pensar”, diz o Dr. Williams.

“Entender as suas emoções em tempo real pode ajudar a quebrar o ciclo de recorrer a lanches não saudáveis quando você se sente estressado, cansado ou sobrecarregado.”


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