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Nando, pirotecnia, o Prêmio FIFA da Paz e o comunismo

Homem com a mão enfaixada fazendo exercícios de alfabetização em casa com TV ligada ao fundo.

Um personagem chamado Nando

Vamos chamá-lo de Nando - escolha que não faz muito sentido. Primeiro porque ele é, e seguirá sendo, um desconhecido; depois porque é um diminutivo tão corriqueiro quanto tantos outros, do Zé ao Fredo, do Chico ao Berto. De todo modo, o nome verdadeiro do nosso protagonista já ficou insinuado por aí, e a única certeza é que ele não se chama Nando, embora seja assim que vamos tratá-lo.

Esse Nando começou escrevendo poesia - com gestos, sem palavras - até desandar numa espécie de estouro de prosa burlesca.

O fogo de artifício e o acidente

Nando mora sozinho numa área rural, nas proximidades do Porto. Ele toma conta da casa de um amigo que, sem querer, acabou dando início a tudo: ao comprar fogos de artifício de São João na frente do nosso herói, provocou nele um estalo de fascínio e uma vontade repentina: "Também quero comprar!".

Mas comprar para quê, se ele ia estar sozinho, no meio do nada? "Para eu também poder ver!"

Aí está a parte lírica do caso - material que até renderia um conto ou uma novela: o homem só, inventando para si um universo particular de festa e encantamento. Só que já foi dito que a coisa desandou e virou comédia. Num momento pouco sagaz, Nando apoiou o artefato pirotécnico num muro estreito e acendeu o pavio.

Assim que a primeira carga explodiu, a base - um tanto mais larga do que os dez centímetros do murete - perdeu o equilíbrio e caiu no chão, disparando sem controle para todos os lados: contra a vegetação, contra a casa, contra o próprio Nando, que estava com o celular erguido para filmar. Ele largou o aparelho e - pernas, para que vos quero? - correu a tempo de se proteger dentro de casa.

Não existe vídeo; só restam as paredes chamuscadas como testemunhas. E o Nando, ainda tentando se recompor do poema que acabou virando prosa bruta.

Da pirotecnia doméstica ao "Prêmio FIFA da Paz" e o comunismo

Falando em brutalidade, o Prêmio FIFA da Paz também parece ter na pirotecnia um de seus fetiches: voltou a ameaçar aniquilar um país - na bomba, isto é - para encerrar uma guerra que ele mesmo começou. Independentemente de todos os males que se possam atribuir ao regime teocrático iraniano, uma situação bem mais complexa do que parece, não dá para apagar uma civilização antiquíssima com a mesma leveza com que se derruba a ala leste da Casa Branca para, no lugar, levantar um trambolho.

Isso transforma a forma de governar do Prêmio FIFA da Paz em literatura burlesca? Também. Só que não dá para tratar o assunto como brincadeira. Ele está cada vez mais parecido com um decalque dos fascistas europeus de outros tempos, e escreveu na própria rede social: "O comunismo é a maior ameaça ao nosso país desde a Primeira Guerra Mundial, a Segunda Guerra Mundial, Pearl Harbor e o 11 de Setembro!"

Que comunismo? A China capitalista? Ou a ideia é reaquecer a caça às bruxas dentro de casa?


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