Um Mundial de contrastes, dentro e fora de campo
Acabou o Mundial para a seleção nacional - e, de certa forma, acabou também para nós. Eles caem, e com isso nós também caímos junto. Ainda assim, fica o registro de uma Copa do Mundo com um jeito diferente de todas as outras, a começar pela sensação de distância, dentro e fora das quatro linhas.
Rodamos quilômetros, cruzamos caminhos em mais de uma direção, provamos o clima tropical e vibrante de Miami e também encaramos o outro lado: o Texas corporativo, gigantesco, difícil até de medir. Quase tudo pareceu enorme neste Mundial, com duas exceções: a sensação real de estar vivendo uma competição desse tamanho e a sintonia de jogo da nossa seleção.
O que o jogo com a Espanha revelou
Não vou me aprofundar em análise tática do futebol do Roberto Martínez. Não é minha especialidade. Mas a imagem que ficou para mim ao ver o jogo contra a Espanha foi simples e insistente: eles atacavam com muitos; nós, com poucos.
E havia, o tempo todo, um espaço exagerado entre os jogadores de Portugal. Parecia que, para o gol sair, era preciso um milagre - ou então um momento de explosão do Nuno Mendes. É a diferença entre um coletivo bem amarrado e apenas um conjunto de jogadores.
Falhas recorrentes e o meio-campo que não correspondeu
E não foi só diante da Espanha. Contra a Colômbia, a mesma fotografia apareceu com clareza. A exceção foi o primeiro tempo contra a Croácia e, mesmo assim, sem nada de extraordinário.
Ou seja: além de não ter conseguido extrair a melhor versão dos craques portugueses, Roberto Martínez também não acertou em montar um time mais curto, mais próximo, mais harmonioso quando atacava. Na transição defensiva, ficaram expostas muitas fragilidades. Talvez também tenha faltado um meio-campista mais forte, que oferecesse outro tipo de equilíbrio.
E há um detalhe irônico nisso tudo: entramos neste Mundial com o rótulo de termos "o melhor meio-campo de sempre" - e foi justamente o meio-campo que falhou.
A maior distância deste Mundial
Já me estendi em análises - talvez até reducionistas. Não era esse o objetivo, mas a vontade de encontrar explicações para o fracasso que foi este Campeonato do Mundo acaba atropelando qualquer cautela.
Porque o problema não foi apenas perder para a Espanha. O problema foi passar quase 30 dias assistindo a uma seleção que parecia jogar sempre com 10 metros de separação entre si. Sem ligação, sem conversa, sem coletivo.
Voltamos para casa antes do tempo, e a maior distância deste Mundial não foi a de Toronto a Dallas. Foi a que se abriu entre os jogadores de vermelho. E essa foi, de longe, a distância mais difícil de aceitar.
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