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Rúben Dias, jornalistas e a narrativa de Roberto Martínez

Jogador de futebol da seleção de Portugal responde perguntas em entrevista coletiva com vários microfones à frente.

Rúben Dias e o tom escolhido diante dos jornalistas

Rúben Dias se apresenta com presença e fala fácil, combinando o que diz com a linguagem do corpo para deixar claro o recado. Ele parecia saber exatamente o que fazia e de que jeito faria - e, sobretudo, foi ele quem definiu a temperatura da entrevista: um tom provocativo, pensado para direcionar leituras e limitar interpretações. A escolha foi precisa, porque ele consegue filtrar ruídos que atrapalham o espírito de grupo e não se constrange em ser pouco elegante, deixando no ar um sorriso como compensação.

Ao tentar fazer graça para reduzir o alcance das perguntas, ele se protegeu atrás de um superior para não responder mais de uma ao mesmo jornalista; insinuou falsidades nas questões levantadas; negou frases que já havia dito antes; e ainda tentou nos pintar como uma turma que saiu junta para comer cogumelos delirantes e voltou em êxtase, colada a um alvoroço sem pé nem cabeça.

O peso do discurso e a memória do Euro 2016

Ainda assim, nada a apontar: fair-play completo. Até porque, no meio das alfinetadas aos jornalistas, o discurso assertivo ganha um peso extra, inflama a exigência - e há jogadores que atravessam brasas sem tremer. E, sem dúvida, Rúben é um deles.

Resta saber se o conjunto, que vai de caçulas em Mundiais a peças mais leves no compromisso, tem a mesma força para apagar incêndios, acalmar os ânimos e entregar aquela resposta de coesão inquebrável, como aconteceu, por exemplo, no Euro 2016, quando prevaleceu o importa como acaba e não como começa.

Redes sociais, FPF e a batalha pela narrativa

Rúben apareceu para desarmar problemas, com a aura íntima de zagueiro, colocando postura em cada resposta. É provável que tenha recebido a nota máxima de Roberto Martínez, ao chacoalhar controvérsias e tentar impor a narrativa de que tudo vinha de “más línguas”: histórias inventadas ou reencenadas, multiplicadas pela criatividade dos jornalistas a partir do que circula nas redes sociais.

Foi o nosso adorável canal aberto - as redes dos jogadores - que teria rompido o sistema noticioso, ficamos sabendo. Nós é que fomos até lá, gulosos e famintos, caçar frames e montar filmes. E que abuso de confiança: nem sequer fomos atrás do contexto. E por que não um contexto prévio, oferecido pela FPF? Não seria o melhor remédio para nos doutorarmos com sabedoria no conhecimento biológico de um recato na praia!

Rúben Dias escolheu uma trilha e saiu vencedor: teve estofo para sustentar até o fim o personagem frio e implacável. A vitória no fim pode ser de todos - e aí até das “más-línguas”, esses safados de “dardos lancinantes”, que sugam o sangue até o tutano como vampiros insaciáveis. No fim das contas, verdades empurram a superação, mesmo quando são tratadas como conspiração. E a surra opinativa em cima de um resultado ruim e de uma atuação em nível constrangedor tem o dom de disparar uma cadeia de reações e atiçar o ego.

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