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Fórmula 1 acelera com IA: Oracle, Claude, CoreWeave e Gemini entram nos boxes

Carro de Fórmula 1 futurista em garagem com holograma de telemetria de corrida na parede.

As corridas de Fórmula 1 continuam sendo decididas no asfalto, mas, cada vez mais, também na força dos algoritmos de IA. Em poucos meses, a principal categoria do automobilismo passou por uma virada e atraiu alguns dos maiores nomes da inteligência artificial.

Segundo a empresa de análise Ampere Analysis, nos últimos seis meses foram assinados oito novos acordos entre equipes de Fórmula 1 e companhias especializadas em IA. Um ritmo de parcerias que o paddock não via com nenhum outro tipo de patrocinador - nem mesmo na época em que marcas de cigarro ou álcool disputavam espaço para estampar seus logotipos nos carros mais competitivos.

Para essas empresas de IA, a Fórmula 1 virou uma vitrine para provar que seus modelos são superiores aos da concorrência. O efeito prático, porém, vai muito além de marketing: o trabalho diário dentro das equipes está sendo redesenhado, com uma parcela crescente de tarefas já delegada a algoritmos. Oracle na Red Bull Racing, Claude (Anthropic) na Atlassian Williams Racing, CoreWeave na Aston Martin, Gemini (Google) na McLaren - por trás das principais escuderias do campeonato, um gigante da IA fincou bandeira.

A nova onda de parcerias de IA na Fórmula 1

A entrada dessas tecnologias não significa apenas mais logotipos no macacão ou no carro: elas estão sendo colocadas para operar em áreas centrais, de engenharia a estratégia. Em outras palavras, as equipes não estão “comprando IA” como um acessório; estão incorporando modelos e infraestrutura como parte do próprio funcionamento.

F1: quando a IA assume o volante

As equipes de Fórmula 1 sempre buscaram o que há de mais avançado para colocar seus carros no pódio. Desde os anos 2010, com a explosão do Big Data, a categoria passou a depender tanto de sistemas digitais quanto de mecânica. Por isso, a chegada da IA ao coração do esporte foi um passo natural: primeiro via machine learning em 2018, até que, nas duas últimas temporadas, modelos de IA generativa e agentica se tornaram protagonistas.

Na Atlassian Williams Racing, a Anthropic e seu modelo Claude foram incorporados às operações da equipe e à estratégia de corrida. O sistema consegue absorver atualizações regulatórias da FIA (Federação Internacional do Automóvel) para resumir milhares de páginas de documentação técnica. Também pode examinar, em tempo real, dados de telemetria do carro e variáveis da prova para orientar os engenheiros com recomendações.

Para Peter Kenyon, conselheiro do conselho de administração, essa parceria é hoje decisiva para a equipe: “É muito mais do que um adesivo no carro ou um painel de publicidade. O que a Anthropic e a nossa equipe técnica fazem é identificar oportunidades e incorporá-las à nossa organização para demonstrar, para nós mesmos e para eles, a tecnologia deles na busca pelo retorno da Williams ao topo”.

Na Oracle Red Bull Racing, a adoção é descrita como ainda mais profunda. Jack Harington, responsável por parcerias do grupo, afirma que houve uma mudança estrutural no tipo de contribuição que a IA entrega dentro da equipe: “Saímos de uma espécie de IA básica para uma abordagem mais agentica [Nota do editor: diz-se de um sistema de inteligência artificial capaz de agir de forma autônoma, planejar e executar tarefas complexas para atingir um objetivo sem intervenção humana], em que, em vez de simplesmente procurar algo, o sistema agora fornece decisões”.

Em situações em que um engenheiro precisaria equilibrar dezenas de variáveis durante a corrida para apoiar os pilotos - como decidir a hora de parar nos boxes -, um sistema agentico cruza esses fatores ao vivo e apresenta uma recomendação antes mesmo de a dúvida aparecer. “Isso é realmente explorar os pontos fortes da IA como uma ferramenta que potencializa a nossa equipe”, continua Harington, “permitindo que eles se concentrem nas responsabilidades essenciais e façam melhor o que já fazem”.

A McLaren, por sua vez, reposicionou sua parceria com o Google em torno do Gemini, deixando para trás o Google Pixel - um acordo iniciado em 2022. Já a Aston Martin apostou na CoreWeave, uma infraestrutura de nuvem avaliada em 65 bilhões de dólares, para garantir poder computacional em larga escala. Cortar drasticamente o tempo de renderização de modelos aerodinâmicos, processar fluxos de dados de milhares de sensores durante testes, validar virtualmente a resistência em crash-tests, implantar agentes de IA capazes de sugerir ajustes de mapeamento do motor… o potencial é, na prática, infinito.

Investimento, computação e o teto de US$ 215 milhões em 2026

Se existe um número que resume essa transformação, é 769 milhões de dólares. Esse valor representa o investimento total em tecnologia (incluindo IA) em todo o setor na temporada passada. Essa linha de gasto, 41% acima de 2024, agora supera todas as demais.

O volume de recursos tem um objetivo claro: ajudar as equipes a ficarem abaixo do limite de 215 milhões de dólares de orçamento anual permitido para 2026, sem abrir mão de vantagens competitivas frente a rivais submetidos às mesmas restrições. Criado para reduzir desigualdades, esse teto de gastos acabou acelerando a corrida pela IA - e, em apenas dois anos, transformou a tecnologia em um requisito para quem quer brigar por pódio.

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